terça-feira, 15 de julho de 2008

Freguesia



Notícia velha, eu sei, mas Flamengo e Vasco não tem como não comentar.

Vitória incontestável do meu Mengão, frente aos nossos eternos fregueses bacalhoenses. Foi uma das melhores partidas do Fla nesse Brasileiro, jogou o tempo inteiro com segurança, atacando e defendendo com intensidade, sem dar muitas chances pro Vasco, não que eles pudessem fazer muita coisa com esse elenco que eles tem atualmente. O resultado final foi até magro, já que é preciso destacar a nossa já peculiar elegância em deixarmos o Alex Teixeira fazer aquele gol bunda no final pra não deixar o saudoso Dinamite totalmente sem graça em pleno Maracanã. E ele vai ter muito trabalho pela frente, hein. Desejo boa sorte pra ele de qualquer forma, pois assim está ficando muito fácil.

E golaço aço do Cristian, pqp. Ao contrário de muitos, eu acho que era uma bola até defensável, mas isso não faz o gol menos bonito.

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Fim de semana com muitos filmes, muitos pra se comentar todos com alguma dose de detalhismo, mas o suficiente para não deixá-los sem comentário algum:

(talvez rolem spoilers)

Conduta de Risco: Filmaço! Outro dos indicados ao Oscar de melhor filme (agora só falta Sangue Negro), confesso que era o que menos me empolgava. Tanto que ele já está nas locadoras há meses e só agora tive vergonha na cara de alugar. Esse filme é daqueles que o título não ajuda muito. "Conduta de Risco" tem mó cara daqueles filmes de ação bundões que você vê as dúzias por aí, ou melhor, você não vê mais, porque você já viu tantos que não tem mais a menor graça. O nome no original, Michael Clayton (personagem principal, interpretado pelo Clooney) é um título melhor, mas também não empolga muito. Tá, eu não sei que título seria bom, mas não gostei desses huauhuhaa.

De qualquer forma, como eu disse, é um filmaço. Roteiro excelente, as atuações não são nada menos que fantásticas. O Tom Wilkinson realmente merecia esse Oscar. Os personagens são interessantes também, não soam maniqueístas em momento algum. A diretora da empresa de transgênicos (Karen), por exemplo. Você consegue perceber todos os dilemas que existem na cabeça dela. Ela não é aquele personagem mau, que passa por cima de tudo e de todos pra chegar aos seus objetivos, sem dar a mínima. Ela é uma pessoa ambiciosa, com uma responsabilidade muito grande em suas costas, que percebe claramente todas as merdas que ela tem que fazer pra conseguir o que ela precisa. Uma das melhores cenas é quando ela tem aquela conversa com o líder daqueles espiões que estavam de olho no personagem do Wilkinson (Arthur). A situação deixa sutilmente claro que é imprescindível a morte do Arthur (sem jogar a informação na sua cara tipo "nós temos que matá'-lo!!", como se os espectadores tivesses dez anos). O modo como a Karen entende a situação, fica transtornada com o que ela tem que fazer mas mesmo assim ela consegue dar a ordem pro cara é uma parada incrível. Nesses momentos você percebe que a atriz, Tilda Swinton, não ganhou o Oscar de coadjuvante por acaso.

Enfim, até que eu falei bastante. Vejam esse filme.


Terra de Ninguém: Para desespero da minha amada namorada, aluguei esse filme na surdina. Ela, que não gosta muito de filmes estrangeiros (sabe, porque nós moramos nos EUA) e muito menos de filmes de guerra, foi obrigada por mim a assistir um filme estrangeiro de guerra. De má vontade, mas assistiu. Por isso, duvido que ela admita que gostou, mas eu achei o filme muito bom. É daqueles filmes que só a sinopse já te atrai: se passa durante a Guerra da Bósnia e conta a história de dois soldados, um sérvio e um bósnio, que por acasos aleatórios se acham presos entre as trincheiras inimigas. A essa situação insólita se junta os esforços atrapalhados da ONU pra resgatar os pobres soldados do meio do campo de batalha e a desagradável luta da imprensa mundial pra tentar acompanhar cada passo da aventura.

Pra mim, que pretendo fazer relações internacionais e consequentemente me amarro nesses temas de diplomacia, foi um prato cheio. As dificuldades de se negociar uma trégua de algumas horas durante um conflito, as burocracias irritantes de um sistema de hierarquia totalmente ultrapassado e as dificuldades impostas pela língua, tudo isso foi bem explorado pelo filme. E ainda, não podia faltar, uma sutil discussão sobre essa guerra ridícula, que matou centenas de milhares de pessoas a troco de nada. A cena em que os dois soldados discutem sobre qual dos lados começou a guerra chega a ter um triste lado cômico.

Esse lado cômico aliás, é uma boa sacada do filme. As questões levantadas pelo filme são bem pesadas, o que talvez tornasse o filme meio insuportável. Mas há esse lado cômico/irônico que é conduzido com maestria pelo diretor Danis Tanovic. Há várias cenas que você ri bastante, deixando o filme com o clima um pouco mais leve.

Ah, o filme ganhou Oscar de melhor filme estrangeiro em 2001. Venceu ninguém menos que Amélie Poulain. Acho que a Amélie merecia melhor sorte, mas Terra de Ninguém também é excelente.

Frase do filme: "Neutrality does not exist in the face of murder. Doing nothing to stop it is, in fact, choosing. It is not being neutral."


Penelope: Como eu havia feito a Rapha assistir o filme acima, ela exerceu seu direito e me obrigou a assistir esse. E não digo isso só porque fui obrigado a ver, visto que até ela concordou comigo, mas esse filme é péssimo huauhauha. Comédia romântica idiota com o James McAvoy, ator divertido que fez Desejo e Reparação e último rei da Escócia. O elenco também conta com a irritante Cristina Ricci e a enjoada Reese Witherspoon (que faz uma super ponta, um dos personagens mais dispensáveis que eu já vi em um filme). O filme é até bem dirigido, mas a história é tão imbecil e mal elaborada que nada salvaria esse filme.


Shakespeare Apaixonado: Filme bonitinho esse. Clássico também, provavelmente a maioria que está lendo isso já viu, mas eu nunca tinha visto. Ganhou o Oscar de melhor filme em 1998, ganhando de Elizabeth. Fatos curiosos: Os dois filmes se passam na mesma época (da rainha Elizabeth). O mocinho dos dois filmes é interpretado pelo mesmo ator, Joseph Fiennes, que embora atue bem, foi um dos únicos personagens dos dois filmes que não foi indicado nenhuma vez ao Oscar. Geoffrey Rush é outro que participa dos dois filmes (foi indicado por Shakespeare Apaixonado).

Não tenho muito o que dizer desse filme, mas eu gostei.



Vou parar de escrever antes que as pessoas me batam.

5 comentários:

Nandes disse...

Agora me explique, se o filme se passa na Ioguslavia, é em Croata/Sérivo, pq que você escreveu o quote em inglês?

Acho que afinal nós estamos nos EUA mesmo.

Liam disse...

É =|

Mas na verdade é só pq eu copiei e colei do imdb mesmo.

Liam disse...

E na verdade, como bem me lembrou a Rapha, quem fala isso é aquele francês da ONU, e ele fala em inglês para aquela repórter idiota, que repete a frase no ar em inglês também.

Nandes disse...

Claro, pq se fosse em sérvio você ia postar em sérvio mesmo, né?

Ou até mesmo francês, que você entende?

O negócio é que inglês ja virou lingua padrão, e não causa mais nenhuma estranheza. No entanto, se você postasse em português algo que eles falam em inglês, ou até croata, as pessoas ja iriam estranhar.

Por isso que eu digo, estamos nos EUA.

Sarah disse...

Quanto ao título Conduta de Risco, é péssimo mesmo. Aliás, essa palavra "conduta" é uma das piores pra título, não passa credibilidade nenhuma. Risco então, jesus.

"Ela não é aquele personagem mau, que passa por cima de tudo e de todos pra chegar aos seus objetivos, sem dar a mínima."

Po, essa concepção de que pessoas más fazem coisas sem dar a mínima é um tanto surreal. Aliás, é muito raro ver um personagem realmente mau no cinema, há os ambiciosos, que acabam se tornando frios pra lidar com as sujeiras que fazem pra conseguir o que querem, mas eu não acho que existe um rótulo de pessoa má, assim como não creio que uma pessoa seja completamente boa.

O roteiro é bom, mas acho que as atuações ainda são o ponto alto, a direção também é boa, e a cena do assassinato é a melhor, pra mim. Nunca tinha visto nada parecido.

Quanto a Karen, acho que o lado dela humano dela é justamente a insegurança dela. O lance dela ensaiar as falas dela mostra isso. Mas que ela passou por cima de "tudo e de todos pra conseguir o que ela queria" ela passou. Tanto que quando a informação sobre o descoberta do Arthur vaza, ela não reluta em ordenar um assassinato, novamente. Assim como não reluta em comprar o Michael por uma grana alta.

O final é meio brochante. Não vou falar muito aqui, porque alguém pode ler. :P