quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Schopenhauer e o Vazio da Existência

Achei esse texto no orkut da minha ex namorada. Trata-se de um capítulo (se não me engano) de um livro do Schopenhauer, filósofo alemão conhecido pelo seu pessimismo e pelas suas obras sobre a Vontade (sua principal obra é "O Mundo Como Vontade e Representação").

O pensamento principal de Schopenhauer, diz respeito ao tédio. Depois de uma não-existência de milhões de anos nós nascemos e a partir desse momento estamos sempre desejando alguma coisa. Quando atingimos noss objetivo, rapidamente nos entediamos e desejamos uma outra coisa. Esse ciclo segue incessantamente até que morremos, botando outros milhões de anos na nossa frente.

A questão, para o filósofo, é que "a existência em si mesma não tem valor, visto que o tédio é meramente o sentimento do vazio da existência". Para ele, o passado não é nada, pois não existe mais, então existe tão pouco quanto algo que jamais existiu. Da mesma forma, o futuro também não existe. Tudo que é o presente, e apenas por isso este já deve ser mais valorizado que o passado ou o futuro. Mas, claro, isso dura apenas um instante, e o que existira, no próximo momento já não existe mais. "Cada noite nos empobrece, dia a dia".

Assim, o trecho que eu quis colocar aqui, que por coincidência se relaciona intimamente com o meu último post, sobre a ilusão do sentimento de nostalgia:



"As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos – devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad interim [provisoriamente]: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida – isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte!

Novamente, há a insaciabilidade de cada vontade individual; toda vez que é satisfeita um novo desejo é engendrado, e não há fim para seus desejos eternamente insaciáveis.

Isso acontece porque a Vontade, tomada em si mesma, é a soberana de todos os mundos: como tudo lhe pertence, não se satisfaz com uma parcela de qualquer coisa, mas apenas como o todo, o qual, entretanto, é infinito. Devemos elevar nossa compaixão quando consideramos quão minúscula a Vontade – essa soberana do mundo – torna-se quando toma a forma de um indivíduo; normalmente apenas o que basta para manter o corpo. Por isso o homem é tão miserável."


O ensaio inteiro (não é muito grande) pode ser lido aqui.


Vou botar apenas mais alguns trechos, que me chamaram a atenção:


"O que
foi não mais existe; existe exatamente tão pouco quanto aquilo que nunca foi. Mas tudo que existe, no próximo momento, já foi. Conseqüentemente, algo pertencente ao presente, independentemente de quão fútil possa ser, é superior a algo importante pertencente ao passado; isso porque o primeiro é uma realidade, e está para o último como algo está para nada."

"Reflexões com a natureza das acima podem, de fato, nos levar a estabelecer a crença de que gozar o presente e fazer disso o propósito da vida é a maior sabedoria; visto que somente o presente é real, todo o mais é representação do pensamento. Mas tal propósito poderia também ser denominado a maior tolice, pois aquilo que, no próximo instante, não mais existe e desaparece completamente como um sonho, jamais poderá merecer um esforço sério."

"...os panteístas atrevem-se a dizer que a vida é, como dizem, “um fim-em-si”. Se nossa existência neste mundo fosse um fim-em-si, seria a mais absurda finalidade jamais determinada; mesmo nós próprios ou qualquer outro poderia tê-la imaginado."

"
A vida apresenta-se principalmente como uma tarefa, isto é, de subsistir de gagner sa vie[para ganhar a vida]. Se for cumprida, a vida torna-se um fardo, e então vem a segunda tarefa de fazer algo com aquilo que foi conquistado – a fim de espantar o tédio, que, como uma ave de rapina, paira sobre nós, pronto para atacar sempre que vê a vida livre da necessidade."

"A primeira tarefa é conquistar algo; a segunda é banir o sentimento de que algo foi conquistado, do contrário torna-se um fardo."

"Está suficientemente claro que a vida humana deve ser algum tipo de erro, com base no fato de que o homem é uma combinação de necessidades difíceis de satisfazer; ademais, se for satisfeito, tudo que obtém um estado de ausência de dor, no qual nada resta senão seu abandono ao tédio. Essa é uma prova precisa de que a existência em si mesma não tem valor, visto que o tédio é meramente o sentimento do vazio da existência. Se, por exemplo, a vida – o desejo pelo qual se constitui nosso ser – possuísse qualquer valor real e positivo, o tédio não existiria: a própria existência em si nos satisfaria, e não desejaríamos nada."

Um comentário:

Anônimo disse...

você sabe de que livro são esses ensaios?