Dois assuntos movimentaram o noticiário esportivo na última semana, com uma repercussão enorme nas redes sociais, blogs e etc. Em ambos, me chamou a atenção como as pessoas hoje em dia são julgadoras instantâneas. A impressão que eu tenho é que quase ninguém busca entender o que aconteceu, quase ninguém tenta ver os dois lados da história. As pessoas vem a notícia e vão direto despejar sua opinião em qualquer lugar que seja. E o que mais me espanta é que nem é preciso ir muito a fundo pra ter uma opinião um pouco diferente, o que significa que a galera tá surfando na superficialidade com força.
O primeiro caso foi o do dirigente do Cruzeiro, que, revoltado com o erro da banderinha no clássico contra o Atlético, disparou que "se ela é bonita, que vá posar para a Playboy". Pronto. Galera revoltada, geral reclamando da discriminação, de que o futebol é um ambiente misógino, que as mulheres sofrem muito preconceito, bla bla bla.
Primeiramente: sim, o diretor foi um tanto indelicado. A relação beleza/playboy é sim um pouco preconceituosa. Acredito que ele teria sido menos incompreendido se ele tivesse dito algo do tipo "se ela é bonita, que vá ser modelo". Porque a crítica do cara em momento nenhum foi ao fato de a auxiliar ser do sexo feminino. A crítica dele era que, supostamente (nem eu nem ele temos como provar, acredito), ela vinha sendo escalada seguidamente mais por sua beleza que por sua qualidade como auxiliar de arbitragem. De fato, ela havia cometido um erro grave logo no jogo anterior, do São Paulo e mesmo assim foi indicada logo depois para participar de um jogo importante como o clássico mineiro.
Ou seja, o diretor foi um pouco infeliz em sua declaração, mas nem de longe era pra tanto. Muito mais grave, nessa história, é a cobertura da mídia-esportiva-punheteira. Em quase todas as matérias com a declaração e a repercussão frequentemente víamos uma "galeria de fotos da musa", invariavelmente com fotos da mina de costas. Mas se está lá é porque vende né, então acredito que o buraco seja bem mais embaixo.
O segundo caso foi a demissão do técnico do Flamengo, o Jayme. Discussões sobre se a discussão foi justa ou não à parte (não foi), o que incomodou muito foi o Jayme ter descoberto que seria demitido através de um repórter, enquanto curtia uma praia em seu dia de folga. Começou a chuva de críticas a diretoria do Flamengo, que era incapaz de demitir um empregado pessoalmente antes de divulgar para a imprensa, que era um desrespeito com tudo que o Jayme havia feito pela instituição, que botaram o cara numa situação constrangedora, bla bla bla.
Novamente, existiu sim uma falha por parte da diretoria. Na verdade duas. A primeira por ter deixado vazar a informação de que se estava pensando em demitir o Jayme, mas isso é dificílimo de conseguir vedar no futebol. Não dá nem pra saber de onde isso vazou, mas dificilmente foi diretamente da diretoria. E também vai muito do risco que o repórter correu, ao anunciar como certo algo que ainda não havia sido declarado oficialmente. Dessa vez ele acertou, mas da próxima ele pode errar. O segundo erro foi não adaptar a estratégia ao ver que a informação havia sido vazada. Nem que segurassem o Jayme por mais uma semana, sei lá.
Mas não, não houve todo esse desrespeito com o Jayme. Os dirigentes passaram a tarde pensando no assunto e procurando outro técnico, mas a demissão só seria oficializada após a conversa com o Jayme, que seria à noite. Nenhum dirigente pensou "foda-se o Jayme hehehe, vamos logo falar pra imprensa que ele tá fora e é isso aí!!". É meio burro achar que eles fariam isso. Novamente, o erro foi ter deixado vazar que isso estava sendo decidido e continuar com a idéia após ter vazado de fato, que não deixam de ser erros graves, mas não são erros de caráter, o que seria mais dramático na minha opinião.
Também tem a discussão do quão ético é conversar com um técnico novo antes de demitir o velho, mas sinceramente, eu acho isso uma bobagem enorme. Eu não consigo ver problema algum. Se eu tenho um cargo importantíssimo na minha empresa, que não pode ficar vago, eu não posso me dar ao luxo de demitir a pessoa que está lá e que na minha opinião não está fazendo um bom trabalho para só então ir procurar alguém novo no mercado, enquanto o cargo fica às moscas deus sabe por quanto tempo. É uma ingenuidade enorme pensar assim.
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
A final do estadual em alguns pontos
Após a decepcionante (mas não vergonhosa, na minha opinião) eliminação na Libertadores, o Flamengo enfim deu alguma alegria para os seus torcedores esse ano com o título estadual. Em relação a isso, há duas coisas que precisam ser ditas antes de qualquer coisa:
1. A eliminação na Libertadores não tira o brilho (?) de um título estadual.
2.Um título estadual não apaga o fiasco na Libertadores.
Agora que já deixamos isso de lado, eu achei legal como essa final comprovouu mais ou menos o que eu havia escrito há um tempo atrás sobre os campeonatos estaduais. Ninguém liga pra eles, os públicos são um fiasco, têm que ser extintos, bla bla bla. Mas nenhum torneio estimula a rivalidade como o estadual. Eu dei o exemplo do gol do Pet, que deve ser o momento mais marcante na memória de rubro negros da minha idade. Da mesma forma (em menor proporção, talvez), esse gol do Márcio Araújo vai ficar na história - pelo título, pela circunstância, pela polêmica.
Como bem exemplificado pela charge, não importa o que aconteça durante todo o campeonato. Mesmo os clássicos são esvaziados e desprestigiados. O que importa no estadual é a final (ou as finais). Eu mesmo vinha dizendo que não dava a mínima pro torneio, mas ontem durante o jogo eu me vi totalmente surtado torcendo pro Flamengo, e quando saiu o gol aos 45 minutos eu joguei tudo pra cima e comemorei loucamente.
Assim, o que importa não é o Flamengo ter conquistado o título estadual. É ter vencido o Vasco. Ninguém liga pra campanha, ninguém se importa com as vitórias na primeira fase. É bobagem insistir nessa fórmula, quando está mais do que claro que um torneio de tiro curto já é mais do que suficiente para conseguirmos o que o estadual nos traz de positivo: emoção, grandes histórias e rivalidades.
À respeito da polêmica do gol em impedimento, também tenho as minhas considerações:
1. Não, não era um lance fácil (ao contrário do gol de falta na primeira fase). A bola ter ido no travessão antes de voltar para o jogador impedido faz toda a diferença. Claro, existem vários registros de lances como esse onde o bandeira conseguiu detectar o impedimento, mas o fato de nenhum jogador do Vasco ter reclamado do lance na hora mostra que não foi um erro ridículo. Foi um erro, sim, mas um erro perdoável.
2. O erro no impedimento em questão não pode ser comparado com alguns erros contra o Flamengo, como a falta do Everton Costa no Felipe no primeiro jogo, como alguns flamenguistas tem dito. A falta é uma interpretação, o impedimento é um fato.
3. É uma grande hipocrisia os vascaínos (e alguns jornalistas) reclamarem que os flamenguistas não tem caráter ao comemorarem um título que se deu com um gol ilegal. Como se isso não fizesse parte do futebol e como se caso a situação fosse inversa ninguém fosse comemorar e sacanear os torcedores rubro negros.
4. Não é sempre a favor do Flamengo. Todos os times tem momentos que levam vantagem e momentos que levam desvantagens. Se ultimamente o Flamengo tem sido mais beneficiado é muito mais por acaso do que porque estamos comprando todos os árbitros para ganhar campeonatos cariocas (vamos pensar grande aí gente, se é pra roubar vamos no roubar no brasileiro ou em algo que preste).
E à respeito do jogo:
1. Se tem uma coisa que o Flamengo aprendeu com a eliminação na Libertadores foi que esse time não sabe jogar tendo que atacar. O time não consegue ficar compacto e não tem a intensidade necessária para marcar a saída de bola dos adversários no campo de ataque. Assim, o Jayme percebeu que o jogo funciona muito melhor esperando o adversário em seu próprio campo fechando os espaços e saindo nos contra ataques.
2. Sendo assim, não achei o Vasco superior em momento nenhum, como muita gente disse. O Flamengo tava muito bem armado, e não ofereceu chance nenhuma. Também não conseguiu criar (muito mais por incompetência do que por mérito da defesa vascaína), mas isso é outra história. Pode ser meu coração rubro negro falando, mas eu sentia o gol mais perto do Flamengo que do Vasco.
3. O jogo mudou com a expulsão (totalmente injusta) do Chicão e do André. Isso prejudicou muito mais o Flamengo, que ficou com um buraco na zaga e perdeu o zagueiro que estava jogando muito. Pior, teve que colocar o Erazo, o jogador mais inexplicavelmente fracassado que eu já vi. Ele deve ser bom, porque ele é titular da seleção equatoriana, mas ele só faz merda!
4. Fazer um gol aos 45 minutos depois de a torcida adversária estar gritando "olé" e "é campeão" é um dos sentimentos mais prazerosos que existem.
1. A eliminação na Libertadores não tira o brilho (?) de um título estadual.
2.Um título estadual não apaga o fiasco na Libertadores.
Agora que já deixamos isso de lado, eu achei legal como essa final comprovouu mais ou menos o que eu havia escrito há um tempo atrás sobre os campeonatos estaduais. Ninguém liga pra eles, os públicos são um fiasco, têm que ser extintos, bla bla bla. Mas nenhum torneio estimula a rivalidade como o estadual. Eu dei o exemplo do gol do Pet, que deve ser o momento mais marcante na memória de rubro negros da minha idade. Da mesma forma (em menor proporção, talvez), esse gol do Márcio Araújo vai ficar na história - pelo título, pela circunstância, pela polêmica.
| Fonte |
Assim, o que importa não é o Flamengo ter conquistado o título estadual. É ter vencido o Vasco. Ninguém liga pra campanha, ninguém se importa com as vitórias na primeira fase. É bobagem insistir nessa fórmula, quando está mais do que claro que um torneio de tiro curto já é mais do que suficiente para conseguirmos o que o estadual nos traz de positivo: emoção, grandes histórias e rivalidades.
À respeito da polêmica do gol em impedimento, também tenho as minhas considerações:
1. Não, não era um lance fácil (ao contrário do gol de falta na primeira fase). A bola ter ido no travessão antes de voltar para o jogador impedido faz toda a diferença. Claro, existem vários registros de lances como esse onde o bandeira conseguiu detectar o impedimento, mas o fato de nenhum jogador do Vasco ter reclamado do lance na hora mostra que não foi um erro ridículo. Foi um erro, sim, mas um erro perdoável.
2. O erro no impedimento em questão não pode ser comparado com alguns erros contra o Flamengo, como a falta do Everton Costa no Felipe no primeiro jogo, como alguns flamenguistas tem dito. A falta é uma interpretação, o impedimento é um fato.
3. É uma grande hipocrisia os vascaínos (e alguns jornalistas) reclamarem que os flamenguistas não tem caráter ao comemorarem um título que se deu com um gol ilegal. Como se isso não fizesse parte do futebol e como se caso a situação fosse inversa ninguém fosse comemorar e sacanear os torcedores rubro negros.
4. Não é sempre a favor do Flamengo. Todos os times tem momentos que levam vantagem e momentos que levam desvantagens. Se ultimamente o Flamengo tem sido mais beneficiado é muito mais por acaso do que porque estamos comprando todos os árbitros para ganhar campeonatos cariocas (vamos pensar grande aí gente, se é pra roubar vamos no roubar no brasileiro ou em algo que preste).
E à respeito do jogo:
1. Se tem uma coisa que o Flamengo aprendeu com a eliminação na Libertadores foi que esse time não sabe jogar tendo que atacar. O time não consegue ficar compacto e não tem a intensidade necessária para marcar a saída de bola dos adversários no campo de ataque. Assim, o Jayme percebeu que o jogo funciona muito melhor esperando o adversário em seu próprio campo fechando os espaços e saindo nos contra ataques.
2. Sendo assim, não achei o Vasco superior em momento nenhum, como muita gente disse. O Flamengo tava muito bem armado, e não ofereceu chance nenhuma. Também não conseguiu criar (muito mais por incompetência do que por mérito da defesa vascaína), mas isso é outra história. Pode ser meu coração rubro negro falando, mas eu sentia o gol mais perto do Flamengo que do Vasco.
3. O jogo mudou com a expulsão (totalmente injusta) do Chicão e do André. Isso prejudicou muito mais o Flamengo, que ficou com um buraco na zaga e perdeu o zagueiro que estava jogando muito. Pior, teve que colocar o Erazo, o jogador mais inexplicavelmente fracassado que eu já vi. Ele deve ser bom, porque ele é titular da seleção equatoriana, mas ele só faz merda!
4. Fazer um gol aos 45 minutos depois de a torcida adversária estar gritando "olé" e "é campeão" é um dos sentimentos mais prazerosos que existem.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Os Campeonatos Estaduais - Passado e Futuro
Ano após ano é a mesma ladainha. Torneios vazios, times reservas, público escasso, partidas de baixo nível técnico... o desinteresse pelos campeonatos estaduais aumenta de uma maneira que parece anunciar o seu fim de maneira cada vez mais urgente. Nesse ano de 2014 a coisa está particularmente alarmante.
A última partida do Flamengo, time de maior torcida do Brasil, teve um público de 375 corajosos. Atenunantes (jogo quarta-feira à noite em Volta Redonda) à parte, é dos menores públicos para o qual eu já vi o Flamengo jogar. Não que seja exclusividade do Flamengo: todos os times vem trazendo pouquíssimas pessoas ao Estádio. Da mesma forma, não são apenas os jogos envolvendo times menores. Mesmo clássicos como o Fla x Flu, de tanta tradição e história, trouxeram menos de 15 mil pagantes. E esse foi o segundo maior público do campeonato!
Com a profissionalização e a valorização cada vez maior do futebol brasileiro, é natural que os torcedores elevem o seu padrão e fujam de jogos de pouco apelo, como são os do carioca. Com os ingressos cada vez mais caros, tem que ter muita disposição pra sair do conforto de sua sala pra assistir o Flamengo enfrentar o Audax com time reserva. Qualquer torcedor com um pouco de senso vai preferir guardar seu dinheiro pra ver o Flamengo jogar com uma grande força sulamericana na Libertadores, por exemplo.
O fim parece bem próximo.
Mas é isso que queremos?
Por mais desinteressante que possam parecer nesse momento, os campeonatos estaduais são um reduto inesgotável de histórias e tradição. E não, não estou falando do tipo de história que ficaria melhor conservada em um museu. Como um flamenguista de 26 anos, eu já vi o Flamengo vencer diversos títulos, muitos importantes como brasileiros, copa do brasil e por aí vai. Mas nenhuma partida ou gol me marcou (a mim e a milhões de rubro-negros) como o gol do Petkovic no estadual de 2001. Vá lá que já vão se fazer 13 anos, mas é um passado muito recente, se levarmos em conta que os estaduais do Rio acontecem há mais de 100 anos.
Os estaduais tem um potencial enorme para alimentar a rivalidade e criar histórias inesquecíveis, e eles ainda não deixaram de fazer isso.
Falar dos estaduais é falar dos chamados times pequenos. Embora também possam ser considerados redutos de história e tradição, nesse caso eu já acho que estamos falando de um tempo pretérito. Por menos que eu queira ver o América ou o Bangu fechando as portas, um time não pode ser manter vivo na base do passado, e cada vez mais vamos assistindo a decadência desses times.
Dizem que é o torneio estadual que mantêm esses times vivos, mas se essa é a desculpa para sua manutenção, é preciso alguma intervenção, porque isso não está funcionando.
Os times pequenos precisam se reinventar. Eu não sei bem o caminho pra isso, mas eu diria que o começo é estreitar os laços com as comunidades em que se situam. É preciso que haja uma identidade maior entre clube e cidade. Uma atuação forte em escolinhas, em colégios, em peneiras. Isso seria bom para os clubes e bom para as cidades. Não sei bem se é viável, mas é um caminho que eu gostaria de ver - sonhando talvez em algo similar ao futebol universitário americano.
E quanto aos estaduais?
A única certeza é a de que algo precisa ser feito, com alguma urgência. O atual modelo não é nem interessante nem sustentável a médio prazo. então já que estamos abrindo a caixa e sugerindo coisas diferentes, eis a minha sugestão para os estaduais.
- Hoje temos 19 datas reservadas para os principais estaduais do Brasil.
- Falando do Rio, que eu naturalmente conheço melhor, temos 4 times grandes e 11 pequenos. Essa distinção é bem clara, ao contrário de São Paulo, que temos times "médios" como Portuguesa, Ponte Preta, etc.
A idéia que eu tenho na minha cabeça é pegar esses times pequenos, talvez juntar mais um, e começar o campeonato só com eles. 12 times, turno único, 11 datas, os 4 melhores se classificam. Pode ser inocência minha, mas eu acho que esse começo seria bem legal. Jogar sem os grandes ia aumentar a rivalidade entre os times pequenos e podíamos ter um campeonato bem divertido.
Findado essa primeira fase, pegaríamos esses 4 classificados e juntaríamos com Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Quartas de final, semifinal, final, todas em jogos de ida e volta, todos no Maracanã. Me parece claro que, para os torcedores dos times grandes, um torneio de tiro curto desse, só com clássicos e os melhores pequenos seria infinitamente mais interessante. A renda de jogos com um apelo maior como esses talvez fossem maior do que toda a renda acumulada nesses estaduais fracassados que vemos acompanhando.
Teríamos assim um torneio bem bacana, com 17 datas (duas a menos que o modelo atual). Os times grandes teriam uma oportunidade de realizar uma pré-temporada muito mais adequada e até de voltar a excursionar pela europa, jogar aqueles torneios engraçados. Quando o carioca começasse de fato seriam apenas 6 jogos de tudo ou nada, com um apelo muito maior para o público. Os times não sentiriam necessidade de escalar times reservas, e os jogos teriam tudo para serem muito bons.
Novamente, eu não sei o quão viável isso seria. Mas que seria infinitamente mais interessante, aaah, seria.
A última partida do Flamengo, time de maior torcida do Brasil, teve um público de 375 corajosos. Atenunantes (jogo quarta-feira à noite em Volta Redonda) à parte, é dos menores públicos para o qual eu já vi o Flamengo jogar. Não que seja exclusividade do Flamengo: todos os times vem trazendo pouquíssimas pessoas ao Estádio. Da mesma forma, não são apenas os jogos envolvendo times menores. Mesmo clássicos como o Fla x Flu, de tanta tradição e história, trouxeram menos de 15 mil pagantes. E esse foi o segundo maior público do campeonato!
Com a profissionalização e a valorização cada vez maior do futebol brasileiro, é natural que os torcedores elevem o seu padrão e fujam de jogos de pouco apelo, como são os do carioca. Com os ingressos cada vez mais caros, tem que ter muita disposição pra sair do conforto de sua sala pra assistir o Flamengo enfrentar o Audax com time reserva. Qualquer torcedor com um pouco de senso vai preferir guardar seu dinheiro pra ver o Flamengo jogar com uma grande força sulamericana na Libertadores, por exemplo.
O fim parece bem próximo.
Mas é isso que queremos?
Por mais desinteressante que possam parecer nesse momento, os campeonatos estaduais são um reduto inesgotável de histórias e tradição. E não, não estou falando do tipo de história que ficaria melhor conservada em um museu. Como um flamenguista de 26 anos, eu já vi o Flamengo vencer diversos títulos, muitos importantes como brasileiros, copa do brasil e por aí vai. Mas nenhuma partida ou gol me marcou (a mim e a milhões de rubro-negros) como o gol do Petkovic no estadual de 2001. Vá lá que já vão se fazer 13 anos, mas é um passado muito recente, se levarmos em conta que os estaduais do Rio acontecem há mais de 100 anos.
Os estaduais tem um potencial enorme para alimentar a rivalidade e criar histórias inesquecíveis, e eles ainda não deixaram de fazer isso.
Falar dos estaduais é falar dos chamados times pequenos. Embora também possam ser considerados redutos de história e tradição, nesse caso eu já acho que estamos falando de um tempo pretérito. Por menos que eu queira ver o América ou o Bangu fechando as portas, um time não pode ser manter vivo na base do passado, e cada vez mais vamos assistindo a decadência desses times.
Dizem que é o torneio estadual que mantêm esses times vivos, mas se essa é a desculpa para sua manutenção, é preciso alguma intervenção, porque isso não está funcionando.
Os times pequenos precisam se reinventar. Eu não sei bem o caminho pra isso, mas eu diria que o começo é estreitar os laços com as comunidades em que se situam. É preciso que haja uma identidade maior entre clube e cidade. Uma atuação forte em escolinhas, em colégios, em peneiras. Isso seria bom para os clubes e bom para as cidades. Não sei bem se é viável, mas é um caminho que eu gostaria de ver - sonhando talvez em algo similar ao futebol universitário americano.
E quanto aos estaduais?
A única certeza é a de que algo precisa ser feito, com alguma urgência. O atual modelo não é nem interessante nem sustentável a médio prazo. então já que estamos abrindo a caixa e sugerindo coisas diferentes, eis a minha sugestão para os estaduais.
- Hoje temos 19 datas reservadas para os principais estaduais do Brasil.
- Falando do Rio, que eu naturalmente conheço melhor, temos 4 times grandes e 11 pequenos. Essa distinção é bem clara, ao contrário de São Paulo, que temos times "médios" como Portuguesa, Ponte Preta, etc.
A idéia que eu tenho na minha cabeça é pegar esses times pequenos, talvez juntar mais um, e começar o campeonato só com eles. 12 times, turno único, 11 datas, os 4 melhores se classificam. Pode ser inocência minha, mas eu acho que esse começo seria bem legal. Jogar sem os grandes ia aumentar a rivalidade entre os times pequenos e podíamos ter um campeonato bem divertido.
Findado essa primeira fase, pegaríamos esses 4 classificados e juntaríamos com Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Quartas de final, semifinal, final, todas em jogos de ida e volta, todos no Maracanã. Me parece claro que, para os torcedores dos times grandes, um torneio de tiro curto desse, só com clássicos e os melhores pequenos seria infinitamente mais interessante. A renda de jogos com um apelo maior como esses talvez fossem maior do que toda a renda acumulada nesses estaduais fracassados que vemos acompanhando.
Teríamos assim um torneio bem bacana, com 17 datas (duas a menos que o modelo atual). Os times grandes teriam uma oportunidade de realizar uma pré-temporada muito mais adequada e até de voltar a excursionar pela europa, jogar aqueles torneios engraçados. Quando o carioca começasse de fato seriam apenas 6 jogos de tudo ou nada, com um apelo muito maior para o público. Os times não sentiriam necessidade de escalar times reservas, e os jogos teriam tudo para serem muito bons.
Novamente, eu não sei o quão viável isso seria. Mas que seria infinitamente mais interessante, aaah, seria.
sábado, 17 de julho de 2010
Simples e Correto
Eu tava pensando aqui: eu nunca escrevi nada sobre livros nesse blog. Eu gosto de livros. Não sou tipo o-cara-que-mais-lê-no-mundo, mas eu até que leio um bocado. Mais que a média nacional, pelo menos, mas até aí aposto que todo mundo que lê este blog também :D
Então, estou aqui para buscar reparar esse erro. Eu já percebi que eu tenho uma dificuldade maior de resenhar livros, mas isso não pode servir como desculpa. Não obstante, falarei de um livro simples e pequeno: Minha Paixão Pelo Futebol (Júnior).
O livro, obviamente, é como uma autobiografia do craque rubro-negro, desde o nascimento na Paraíba, passando pelas glórias no mengão, pela passagem pelos italianos Torino e Pescara, até chegar nos dias de hoje, aonde atua como comentarista esportivo.
Na verdade eu diria que está mais para uma mini autobiografia. Tendo cerca de 120 páginas e uma formatação bem espaçada, é um daqueles livros que você lê em uma tarde entediada.
E eu acho que é esse o clima que o Junior procurou passar. Não tentou fazer algo grandioso nem pomposo, nem nada assim. O livro me passou o sentimento de estar sentado em uma varanda, do lado do "Capacete", ouvindo ele me contar sua vida como quem conta qualquer outra história. O que não deixa de ser um reflexo das características mais marcantes do craque: a simplicidade e a humildade. Não existem frescuras nem construções elaboradas, Junior não estava ali pra isso. Estava ali apenas pra contar sua história, de sua maneira.
Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a história do ídolo rubro-negro, é uma ótima pedida.
Então, estou aqui para buscar reparar esse erro. Eu já percebi que eu tenho uma dificuldade maior de resenhar livros, mas isso não pode servir como desculpa. Não obstante, falarei de um livro simples e pequeno: Minha Paixão Pelo Futebol (Júnior).
Na verdade eu diria que está mais para uma mini autobiografia. Tendo cerca de 120 páginas e uma formatação bem espaçada, é um daqueles livros que você lê em uma tarde entediada.
E eu acho que é esse o clima que o Junior procurou passar. Não tentou fazer algo grandioso nem pomposo, nem nada assim. O livro me passou o sentimento de estar sentado em uma varanda, do lado do "Capacete", ouvindo ele me contar sua vida como quem conta qualquer outra história. O que não deixa de ser um reflexo das características mais marcantes do craque: a simplicidade e a humildade. Não existem frescuras nem construções elaboradas, Junior não estava ali pra isso. Estava ali apenas pra contar sua história, de sua maneira.
Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a história do ídolo rubro-negro, é uma ótima pedida.
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