sábado, 2 de abril de 2011

Asa Partida

Eu estou ligeiramente espantado, confesso. Estava arrumando meu quarto, quando achei um outro poema que eu não tinha a menor recordação de ter escrito. Nunca fui muito de escrever poemas, na verdade. É curioso que eu tenha achado dois esses dias, e que, bizarramente, os dois tratem de assuntos tão parecidos. Não fazia idéia de que eu me interessava tanto por isso, mas aparentemente é um fato.


Dentro de nossos corpos ecoa um terrível grito
Preso tristemente pela ambiguidade do ser humano
Destinado por natureza ao mais alto infinito
Fadado eternamente a um exílio mundano

Dos animais é o mais elevado
Um dom divino, talvez mera sorte
A razão dá a nós um exclusivo estado
Tirado sem pena pela certeza da morte

Estaremos condenados a tamanha maldição?
Como uma águia que foi para voar nascida
Mas que, por existir, teve sua asa partida

Para tal problema não parece haver solução
Devemos nos conformar com a dualidade da vida
Latejando para sempre uma dolorosa e aberta ferida

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Do Your Best

Um pequeno poema em inglês que eu fiz na PUC há alguns anos atrás. Teoricamente era um plano B pra um trabalho de religião em que deveríamos falar sobre um tema (que eu realmente já esqueci completamente qual era, mas era provavelmente algo ligado à "vida") de uma maneira "criativa", mas acabou que eu nem precisei usar (felizmente). De qualquer forma, queria registrá-lo aqui senão ele corre o risco de ficar preso pra sempre no limbo do meu armário.


Somehow I suddenly realise
What living is really about
So sit down and have a beer
For I'm about to tell you now

For so long people are thinking
And fighting for their ways
But how hopeless they all look
At the end of our days

Because life don't have a meaning
And we need to live with that
When you finally get this feeling
For you I'll take my hat

So don't bother with the future
Don't give a shit about the past
'Cause your life is just the present
Close your eyes and do your best

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um pouco de Cornwell

Saindo do marasmo desse blog, vamos, primeiro, às desculpas:

1. Estou fazendo vestibular (yes, again, go figure). Quem arranja tempo pra blogs fazendo vestibular?
2. Criei um blog novo com o Nandes. A temática, dessa vez, é definida, apenas música. Quem quiser entrar, clique aí em cima e divirta-se.
3. Eu sei que o argumento número 2 anula o argumento número 1. Ignorem.
4. Tenho lido como poucas vezes li na vida. O que me tira algum tempo de mofo (leia-se: tempo de vir postar no blog), mas ao mesmo tempo me dá boas idéias para posts. Nesse sentido, esse post começa a seguir:

Nesse último mês li dois livros do Bernard Cornwell, dois livros que são um tanto desconhecidos aqui no Brasil. Achei-os na Travessa do Barra Shopping, ambos por cerca de 17 reais, a versão importada, em inglês. Não há versão nacional, então nesse caso ou você lê em inglês mesmo ou espera por um dia em que resolvam traduzi-los (dica: esse dia pode nunca chegar).

Os dois livros são marcantes pois traz um Cornwell com características bem diferentes do que nós brasileiros estamos acostumados.

O primeiro, The Fallen Angels, chama a atenção por ter uma co escritora, Susanah Kells, assinando o livro junto com o Cornwell. Fiquei curioso com o impacto que isso teria na história e se eu conseguiria perceber a diferença, mas na verdade esse impacto é bem claro pra qualquer um que já tenha lido alguns livros do Cornwell. Em primeiro lugar, a protagonista é uma mulher. Eu já li uns 10 livros dele e essa é a primeira vez que eu vejo uma protagonista mulher. No mesmo sentido, o romance da história (pois sempre há de haver um romance =P) recebe uma ênfase muito maior, e é decisivo pro desenrolar da trama. A trama se passa durante a época do Terror, na Revolução Francesa, aonde qualquer pessoa poderia ir para a guilhotina por espirrar sem pedir licença.

A personagem principal se chama Campion Lazender, e é a herdeira de um reino estupidamente rico na Inglaterra. Toda essa riqueza é cobiçada por um sociedade secreta chamada The Fallen Angels, que está inserida em uma sociedade secreta chamada Illuminatti (virei a cara nesse ponto, sociedades secretas me irritam desde a época em que o Dan Brown era febre, mas whatever), que desejam botar as mãos nesse dinheiro para financiar a revolução que tentava se espalhar para a Inglaterra. Entre esses dois mundos, está Gítan, um cigano que atua como agente duplo, e nunca sabemos aonde está sua verdadeira lealdade. A única coisa que temos certeza é que Campion se apaixona por ele (acredite, a Susanah Kells faz questão de jogar isso na sua cara um tantão de vezes).

O livro é meio inconstante, tendo momentos sensacionais seguidos de trechos de puro tédio. A maior ênfase no romance foi legal, é uma coisa que eu sentia um pouco de falta de mais desenvolvimento nos outros livros do Cornwell, mas me desagradou um pouco o jeito como esse romance acabou sendo preponderante pro final. O final acabou sendo meio óbvio, ainda que ao mesmo tempo tenha sido uma grande surpresa. Nesse livro aliás o Cornwell também se apoiou muito na questão do mistério, de "quem será o inimigo", o que eu acho meio cansativo (prefiro deixar isso para a Agatha Christie), mas pode agradar algumas pessoas. E a trama tem uns furos bem toscos, coisas que simplesmente não fazem sentido, mesmo pensando nas tolices que garotas tolas apaixonadas podem realizar. Mas, são poucos.

Mas embora eu fique botando defeito, é um ótimo livro. Os personagens clássicos do Cornwell estão aqui, e a Kells acabou dando uma dimensão diferente para alguns deles. O background histórico também é muito interessante, praqueles que gostam de história. Mas de algum modo eu acho que pode agradar mais a pessoas que nunca leram Cornwell do que a die hard fans.


O segundo livro se chama Scoundrel. Dessa vez assinado só pelo Cornwell, o livro chama atenção por ser o único livro dele (que eu tenha lido) que se passa nos dias de hoje (ou no começo da década de 90, quando o livro foi escrito), o que é bem esquisito, pois sempre pensamos no Cornwell como um autor de ficção histórica.

Mas que seja, esse livro simplesmente detona. Conta a história de um americano, Paul Shanahan, membro do IRA (exército republicano irlandês), que depois de anos trabalhando na organização, é deixado de lado por desconfiarem que ele é um espião da CIA infiltrado. Puto, ele se muda pra Bélgica e começa a trabalhar como técnico de barcos (fazendo avaliações, consertos, etc). Quatro anos depois, o IRA volta a contatá-lo, pedindo que ele transporte em seu barco, 5 milhões de dólares em ouro através do Atlântico, dinheiro que será destinado para a compra de 53 mísseis Stinger, que por sua vez serão usados nas táticas terroristas da organização.

O livro, porém, consegue ir além de um simples thriller político e consegue explorar, ainda que não tão profundamente como poderia, os recônditos da mente humana, desde os sentimentos de culpa frente à atitudes condenáveis como o terrorismo e o assassinato até à condenação de viver assombrado por um amor passado e a tentativa de espelhar esse amor em qualquer uma que apareça pela frente, num movimento desesperado para se sentir vivo de novo.

O final do livro é de um realismo frio que pode decepcionar algumas pessoas que esperam uma grande reviravolta em cada trama, mas que pra mim funcionou muito bem. Nem sempre todos nossos sonhos dão certo, e muitas vezes nem precisamos deles pra sermos felizes.

Dos livros isolados, esse certamente é o melhor Cornwell que eu já li.


P.S. Hoje é o aniversário da garota mais bonita que já pisou nesse mundo =)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Road Salt One

Você tem absolutamente todo o direito de não gostar de Pain of Salvation. Não é uma banda conhecida por ser exatamente acessível, radio-friendly, e sua progressividade ainda afasta muita gente. Mas acuse-os do que quiser, não se pode dizer que eles sejam previsíveis. Cada álbum consegue ser completamente diferente um do outro e, enquanto o ouvinte mais atento consegue perceber tênues fios de musicalidade própria que permanecem como uma constante nos trabalhos da banda, a impressão geral que se tem é que se trata de criações totalmente distintas.

Sim, eu digo isso como um elogio. Vindo de decepções crescentes de bandas como Gamma Ray, que a cada cd parece mais e mais sem idéias, repetindo riffs, solos e tudo mais o que conseguir, eu não tenho como não admirar uma banda que não tem medo de tentar fazer algo diferente a cada ano que passa, e o Pain of Salvation surge como o maior exemplo disso.

Não que isso signifique sempre um acerto. O último cd, por exemplo, Scarsick, não foi do meu agrado. Chega num ponto que a progressividade incomoda e tudo soa muito mais como um experimentalismo louco do que como música em si. Mas ao se explorar territórios tão diferentes e diversos, é mais do que natural que a banda cometa erros e também é difícil que uma pessoa consiga ser atraída por todos os álbuns, sendo eles tão distintos.

Chegamos enfim ao objeto dessa resenha, o novo álbum do Pain of Salvation, Road Salt One. Toda essa breve nota introdutória, porém, não foi totalmente à toa. Pois o ouvinte desavisado pode tomar um susto quando ouvir as primeiras notas de "No Way" (ou de "What She Means to Me", se você está ouvindo a versão especial). Nessa nova empreitada, o mastermind da banda Daniel Gildenlow buscou resgatar a sonoridade dos saudosos anos 70, misturando-a numa moderna salada musical com a pegada progressiva característica da banda e os conceitos líricos sombrios e sensuais que tanto fascinam os admiradores da banda.

O resultado é um álbum incrível, que poderá assustar alguns fãs mais radicais, mas que, ouvido com um mínimo de boa vontade, não tem dificuldades em cravar seu lugar entre os melhores cds do ano e entrar como mais uma jóia importante na (já maravilhosa) discografia do Pain of Salvation. Daniel Gildenlow conseguiu renovar totalmente um estilo de fazer música já totalmente saturado, dando uma profundidade musical e lírica poucas vezes vista.

O álbum logo com uma pedrada, "No Way" (se você pretende comprar, procure pela versão extendida, que começa com uma ótima faixa, "What She Means To Me", que é quase como uma introdução à "No Way"), que já mostra bem o que será o cd: uma faixa bem direta, com a presença marcante do teclado do Fredrik Hermansson e um vocal inspirado do Daniel, interpretando com perfeição a letra, que consegue ser o ponto alto da música. Muita gente virou a cara para as letras desse cd (em especial dessa música), por acharem-as simples, ou infantis. Na minha opinião a aparente simplicidade é exatamente aonde se encontra o maior êxito dela: a sinceridade do eu-lírico, o modo como ele se expressa de maneira totalmente visceral e verdadeira, o modo como de repente toda sua arrogância passa por uma crise de segurança e ele começa a questionar tudo o que ele disse antes. Isso é puro Pain of Salvation! Assim como o final da música, aonde a simplicidade da música abre espaço para um trecho mais progressivo, que certamente fará os fãs sorrirem.

Daí em diante o álbum desce por uma ladeira emocional, passando pela totalmente bluesy "She Likes to Hide", que poderia ter sido tirada de um álbum do Jimi Hendrix, pela magnífica "Sisters", um dos destaques do álbum, com seu clima totalmente sombrio e de certa forma desesperador, seus violinos e coros muito bem utilizados, dando o enfoque certo para o drama do personagem e chegando na "Of Dust", que traz um clima gospel-like e parece finalizar a primeira parte do álbum.

A partir daí o álbum volta a expressar um clima mais positivo na quase country "Tell Me You Don't Know", que tem um solo gostosíssimo (um dos poucos do cd) e na esquisitíssima "Sleeping Under The Stars". Aqui, ao contrário de muitas músicas esquisitíssimas da carreira do Pain of Salvation, a coisa funciona bem. Alguns momentos meio doentios, como em entre 1:58 e 2:30, mas que funcionam bem com o conceito e com as letras. "Darkness of Mine" traz de volta o clima extremamente sombrio, contrastando com um refrão meio modernoso que destoa um pouco do resto da música. Nada que estrague, mas a música soaria melhor sem ele.

Em seguida temos as duas músicas mais straight-foward do álbum: "Linoleum", que já constava no EP e "Curiosity". Linoleum tem uma levada mais moderna. Em alguns momentos me lembra, sei lá, Audioslave. Não chega ao ponto de ser ruim, mas claramente houve pouca inspiração nessa. Soa como uma filler, o que é curioso se tratando da música escolhida pra figurar no EP. Já Curiosity tem uma levada até meio pop rock em alguns momentos, mas é uma grande música, se equilibrando em momentos mais tranquilos e alguns mais agressivos, com um refrão empolgante. Destaque também para as letras e sua aparente simplicidade, mas que parecem terem sido tiradas de um livro do Milan Kundera.

O álbum ruma ao seu final, de novo soturno, com a melancólica "Where It Hurts" e com a mais melancólica ainda "Road Salt", que parece resumir o álbum em sua música cadenciada e sua letra totalmente deprimente. Por último temos Innocence, que fecha o álbum no melhor Pain of Salvation fashion, com várias mudanças de clima ao longo de seus sete minutos.


Road Salt One é um excelente álbum, mostrando uma banda totalmente segura de sua capacidade e do caminho que deseja trilhar, sem se prender a rótulos ou a o que alguns fãs esperam.


Banda: Pain of Salvation
Álbum: Road Salt One
Ano: 2010

Nota: 90

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Filme Sem Salt (ha!)

Sem sal não, medíocre.

Mais um filme de ação da
Angelina Jolie, cujos papeis de mulher-fodona-que-vai-te-enfiar-a-porrada-quer-você-queira-ou-não já encheram o saco. Dessa vez ela encarna uma agente da CIA, que é acusada de ser uma espiã russa. E a partir daí, como qualquer um já poderia prever, é uma correria alucinada pra se livrar das acusações (ou não) e salvar o marido e o mundo (por que não?).

E malditos 20 anos depois do fim da Guerra Fria, continuamos a ver essas histórias aonde os russos são colocados como vilões insensíveis que planejam destruir a América. Sério, galera, a maior parte da audiência desse filme (jovens) mal era nascida quando a Guerra Fria acabou. Vamos trocar esse disco. O filme ainda tenta lançar uma pequena trama na vilã da moda, a Coréia do Norte, que foi um dos pontos mais rasos do filme inteiro (e o resto do filme não é exatamente profundo).

A história e os personagens são totalmente sub-desenvolvidos. Vá lá que os produtores tinham a intenção de privilegiar as cenas de ação, mas num filme que tenta se levar a sério como esse, as cenas de ação sem um roteiro forte por trás soam totalmente frágeis. E não é nem como elas fossem boas o suficiente pra levar o filme nas costas. Não são.

As tais reviravoltas, que tanto encantam o público médio, são totalmente aleatórias. Sem o desenvolvimento necessário, elas ficaram totalmente forçadas e sem propósito. Como tentativas vãs de mantêr o filme dinâmico, mas que só serviram para fazer o vilão ser outro a cada 15 minutos de filme (o que é simplesmente irritante).


E eu sei que a Angelina Jolie tem uma grande base de fãs, e que eles me perdoem, mas ela simplesmente não me convence. Ela é sexy pra caralho, duh, mas o único papel decente que eu já vi ela fazendo foi em Garota Interrompida. De lá pra cá eu vejo ela fazendo sempre o mesmo personagem over and over.


O filme se arrasta nesse lenga lenga até o "final". Sim, aspas. Pois poucas vezes eu vi um final de filme tão patético quanto esse. Eu lembro que quando eu tava vendo e o filme flertou com a idéia de terminar eu pensei "nossa, seria muito engraçado se os roteiristas não soubessem mais o que fazer com o filme e resolvessem simplesmente terminar aqui". Créditos. Sério, cara, por que? Parece que depois de tantas reviravoltas imbecis os roteiristas se perderam e não sabiam mais o que fazer com o filme, então resolveram jogar a mulher no meio do mato e terminar tudo ali mesmo.


Mas do que estou reclamando? Melhor terminar ali mesmo do que gastar mais meia hora da minha paciência com reviravoltas imbecis e histórias mal contadas.

Direção: Philip Noyce
Ano: 2010
Link: IMDb

Nota: 38

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Não Explode, Mas É um Bom Encontro

Esses filmes de ação com toques de comédia protagonizados por um casal que todo mundo sabe que terminam juntos no final do filme me pegaram pela última vez quando fui ver Caçador de Recompensas, com o Gerard Butler e a Jennifer Aniston, que é um dos piores filmes que eu vi nos últimos tempos. Não obstante, acabei indo vendo esse Encontro Explosivo (Knight and Day), com Tom Cruise e Cameron Diaz, que parecia seguir a mesma fórmula de ação e romance descompromissados.

E até que eu tive uma razoável surpresa. Não, não é um filmaaaço, mas sinceramente, alguém realmente esperava que fosse? É um filme simplesmente divertido, que vale o ingresso, principalmente se você for ao cinema em dia de semana, que é mais barato :D

O filme não se leva a sério em quase nenhum momento (os poucos momentos que o diretor, James Mangold, tenta impôr um tom mais sério ao filme, não por acaso, são os piores). Não existe nenhum tipo de compromisso com a realidade: o personagem do Cruise É uma espécie de "super homem", um super agente secreto, que não chega ao ponto de ter, sei lá, poderes especiais, mas é simplesmente apelativamente foda. E ele é FEITO pra ser assim, o diretor não tenta te convencer de que aquilo tudo possa ser real em momento algum. E é nisso que está o grande mérito do filme. É apenas entretenimento, cenas de ação bem pensadas e bem feitas (em sua maioria) e um romance/comédia clichê, sim, mas divertido.

Na verdade as cenas de ação são tão exageradas que, junto com esse tom de comédia, acabaram dando um tom de sátira ao filme, como se o diretor estivesse tentando satirizar aqueles filmes de ação que o mocinho sai no meio de um exército com uma metralhadora, mata todo mundo e não leva um tiro que seja. Não sei se foi mesmo a intenção do diretor, mas eu acredito que sim, principalmente se lembrarmos das cenas que o Cruise dopa a personagem da Cameron e só são mostrados pequenos flashs, como se ela tivesse acordado por alguns minutos, e em cada flash eles estão fugindo de uma maneira mais espetacularmente forçada que a outra. Foi uma boa sacada.

E bem, todo mundo reclama das atuações do Cruise num geral (nesse filme não foi diferente), mas eu acho ele um ótimo ator. Eu acho que ele deu o tom certo pro papel e senti uma boa química com a Diaz, mesmo eu não sendo um grande fã do trabalho dela.

Não, o final não é bom.


Direção: James Mangold
Ano: 2010
Link: IMDb

Nota: 72

P.S.: O poster americano, que eu botei aqui, é fodão. O brasileiro, não.

sábado, 17 de julho de 2010

Simples e Correto

Eu tava pensando aqui: eu nunca escrevi nada sobre livros nesse blog. Eu gosto de livros. Não sou tipo o-cara-que-mais-lê-no-mundo, mas eu até que leio um bocado. Mais que a média nacional, pelo menos, mas até aí aposto que todo mundo que lê este blog também :D

Então, estou aqui para buscar reparar esse erro. Eu já percebi que eu tenho uma dificuldade maior de resenhar livros, mas isso não pode servir como desculpa. Não obstante, falarei de um livro simples e pequeno: Minha Paixão Pelo Futebol (Júnior).

O livro, obviamente, é como uma autobiografia do craque rubro-negro, desde o nascimento na Paraíba, passando pelas glórias no mengão, pela passagem pelos italianos Torino e Pescara, até chegar nos dias de hoje, aonde atua como comentarista esportivo.

Na verdade eu diria que está mais para uma mini autobiografia. Tendo cerca de 120 páginas e uma formatação bem espaçada, é um daqueles livros que você lê em uma tarde entediada.

E eu acho que é esse o clima que o Junior procurou passar. Não tentou fazer algo grandioso nem pomposo, nem nada assim. O livro me passou o sentimento de estar sentado em uma varanda, do lado do "Capacete", ouvindo ele me contar sua vida como quem conta qualquer outra história. O que não deixa de ser um reflexo das características mais marcantes do craque: a simplicidade e a humildade. Não existem frescuras nem construções elaboradas, Junior não estava ali pra isso. Estava ali apenas pra contar sua história, de sua maneira.

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a história do ídolo rubro-negro, é uma ótima pedida.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Fúria do Polvo

Alguns dias atrasado, mas acredito que a relevância continua presente. Talvez não, mas não é como se eu ligasse pra coisas como relevância nesse meu humilde blog :)

Mas então, os deuses do futebol resolveram ser justos e deixaram a Espanha se sagrar campeã do mundo pela primeira vez.


Não que a Espanha tenha jogado um futebol brilhante, ou mesmo o melhor futebol da Copa. Na minha opinião, e na de muitos outros, esse cargo destina-se à Alemanha, que encantou o mundo com 3 goleadas em 7 jogos.

Mas, não podemos esquecer que essa mesma Alemanha foi ATROPELADA pela Fúria. Não, não foi uma goleada, foi um jogo até difícil (pios os alemães tem uma ótima zaga), mas o domínio espanhol foi quase completo. A Alemanha ficou o jogo inteiro espremida no seu campo, sem ter espaço nem para os seus tão mortais contra-ataques.
Um time que vence com tanta autoridade o time sensação da Copa não pode ser questionado quanto ao seu merecimento.

Quanto à final contra a Holanda, a vitória espanhola, justíssima, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido pro futebol. E também, ouso dizer, para a Holanda. Possuíndo um passado de times maravilhosos, seria um pouco melancólico ver a laranja campeã com um time que se rendeu ao atual futebol de resultados. O time tem destaques individuais, mas está longe de ser um time que encanta em qualquer nível que seja. Não gostaria de vê-los campeões do mundo, e olha que eu costumo torcer pra Holanda em Copas.


A Espanha sim, mereceu esse título, mais do que ninguém. Simplesmente por acreditar no seu futebol. O que mais me encanta nesse título espanhol foi a o fato de eles terem perdido um jogo, justamente o primeiro.


"Como assim você se encanta com uma derrota, você é idiota?"


Não sei se sou idiota, mas eu tenho consciência de que nas mãos da maioria dos times de hoje em dia uma derrota na estréia, para a fraca seleção da Suiça botaria em xeque todo o estilo de jogo da equipe. Cabeças iam rolar, todo o planejamento ia ser questionado, o time passaria a jogar buscando o 1x0 e só.


(Não me venha dizer que a Espanha ganhou os 4 jogos a partir das oitavas por 1x0. Eu sei disso. Mas a Espanha nunca foi um time que BUSCOU o 1x0. Ela não se segurava lá atrás, tentando achar um gol pra se fechar novamente. Ela jogou sempre no campo do adversário, procurando o gol de acordo com o seu estilo. Se a bola só entrou uma vez em cada jogo, é acaso.)


Mas a Espanha não questionou o seu estilo de jogo. Ela acreditou nele. Assim como eu mesmo disse, na época, que apesar da derrota, a Espanha tinha feito uma bela partida e tinha sido uma das melhores seleções da primeira rodada. Perdeu por detalhes, mas é impossível anular os detalhes de uma partida de futebol. É o que faz o futebol um esporte tão encantador: nem sempre o melhor ganha.


E assim, acreditando em seu jogo, a Espanha se tornou campeã mundial, como havia se tornado campeã européia dois anos antes. Se não é o time mais encantador da história do futebol, não podemos deixar de louvar seu futebol ofensivo, sempre buscando o gol, trocando passes no campo do adversário. Principalmente nos dias de hoje, aonde jogar defensivamente buscando o contra-ataque parece ser a norma.


A Espanha é uma ilha de futebol num oceano de mediocridade.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Eclipse

É. Eclipse.

É curioso como esse série de filmes baseados nos livros da Stephanie Meyer polariza os comentários. De um lado temos as tais "crepusculetes", que defendem os filmes com unhas e dentes, mesmo tendo como maior argumento coisas do tipo "ah o Jacob está um tesão!" ou "o Pattison é tdb!". Do outro, temos críticos simplesmente exagerados, que dizem que o filme é coisa de viado, garotas gordas de 13 anos e gente sem um pingo de inteligência, que avaliam o filme com a menor nota possível mesmo sem terem visto-o só pra média baixar.


Eu tento, com alguma dificuldade, me colocar entre esses dois pólos. Nem é uma maravilha, nem é coisa de viado e gente sem inteligência.


O filme é simplesmente uma merda. Na boa, simples assim. Mas quantos filmes por aí são uma merda e nos divertem? Eu, particularmente, achei um saco (e olha que eu costumo gostar de filme de romance mamão com açucar), mas eu entendo que algumas pessoas possam se divertir com ele. O que não faz o filme ser bom.


Mas por que o filme é essa merda toda? Basicamente, e esse é apenas o primeiros dos problemas, porque a história é ruim, e, não sendo o bastante, totalmente superficial. Não há nenhuma trama que não seja o tal triângulo amoroso entre a humana, o vampiro e o lobisomem (não acredito que escrevi uma frase dessas). As tramas paralelas são tão, digamos, paralelas e mal tratadas, que elas simplesmente se desmancham no ar ao menor toque.


Então temos, por enquanto, 3 filmes sobre um simples triângulo amoroso. Tudo bem, como eu disse, eu até gosto de romances. Mas não é por isso que eu vou engolir qualquer merda. A coisa simplesmente não funciona entre os três. Parece um texto escrito por garotas de 11 anos, quando elas começam a se interessar por esses assuntos mas ainda não tem, obviamente, o menor preparo para escrever algo. E eu não digo isso com o intuito de ofender ninguém, não estou dizendo que quem gosta tem a mentalidade de 11 anos, ou que a Stephanie Meyer é um cocô de escritora (eu não li os livros, fica a dica). Estou apenas dizendo que, nos filmes, o romance é tratado com uma superficialidade espantosa. É simplesmente raso. E quando temos uma série de filmes baseados nisso, acabamos por afundar num grande pote de merda.


Mas eu entendo quem curta. Essa superficialidade pode ter seus atrativos. É tipo, sei lá, ler um livro do Dan Brown, ou ver uma novela da Globo. É uma merda? É. Mas nem sempre estamos no clima de nos envolver com os personagens, de refletirmos sobre a mensagem que algo nos está passando ou de nos esforçarmos para entender o que não é óbvio. As vezes as pessoas preferem apenas "desligar" e curtir o momento, aproveitando uma história que tenha um quê de bonitinha. Nessas horas, a obviedade trabalha a favor.



"partiu ver quem consegue fazer o menor número de expressões em um filme??"

Sobre o filme em si, outro grande problema são as atuações. É chover no molhado, eu seeei. Todo mundo está cansado de saber que a Kristen Stewart não sensibiliza ninguém e que o Robert Pattison não é o novo James Dean. Mas não há como não mencionar o trabalho horroroso que eles fazem. Vá lá que o roteiro não ajuda nem um pouco, mas isso nunca pode ser vir de desculpa pra um ator que está procurando seu espaço. Os dois simplesmente não convencem em momento nenhum, e chegam a passar vergonha quando aparece, sei lá, a Dakota Fanning. O outro protagonista, o tal do Taylor Lautner até faz um trabalho mais razoável, mas também fica longe de brilhar.


O filme passa tipo 1h40 com basicamente diálogos. Bella/Edward, Bella/Jacob, Edward/Jacob. Ok, eu gosto de diálogos. Ajudam a construir os personagens, a trama (?), dão um toque de humor e fazem a gente pensar. Certo? Não aqui. Os diálogos poderiam ser interessantes com um pouco mais de desenvolvimento (juro), mas eles simplesmente não são. É tudo straightfoward demais. Não existe sutileza, não existem indiretas. Eu te amo. Eu não quero que você fique com ele. Eu quero que você fique comigo. Ele é um lobo babaca. A pele dele é fria, eu sou quente. Só vamos fazer sexo após o casamento. Jesus, quem se comunica assim? Vocês conhecem alguém que seja tão desprovido de sutileza desse jeito? Não me venha com o papo de "ah mas é um vampiro e um lobisomem, é claro que eles não podem ser normais", que não vai colar. O filme não flerta em momento nenhum com algo que pessoas reais poderiam se identificar. Não há discussão de idéias interessantes, não há reflexões sobre a condição humana perante a existência de seres sobrenaturais, não há nada além do óbvio ululante e dos desejos cretinos de uma (pré) adolescente.


Quando finalmente chega a ação, eu já estava meio sonolento. E não foi lá uma grande parte de ação, mas ver algumas cabeças destruídas depois de tanto tempo de bla bla bla acabou sendo relativamente agradável. Mas pelo puro prazer da destruição, porque, como eu falei anteriormente, a trama paralela podia muito bem ser deixada de lado. Eu até poderia tentar esmiuçar ela, mas seria vergonhoso. Mas é algo do tipo: uma vampira ruiva cria um vampiro pra criar um exército de vampiros pra destruir os vampiros que dominam um local pra primeira vampira poder matar o vampiro que matou o amante vampiro dela no primeiro (!) filme e a mulher que o amigo dela quis beber o sangue mais não conseguiu. Não estou brincando. E eu não sei o que diabos essa vampira ruiva ficou fazendo durante o segundo filme inteiro, provavelmente tirou férias e ficou aguardando a trama ridícula do segundo filme chegar ao fim.


Outro ponto que eu ainda não entendi é o motivo desses supostos gostosões serem tão apaixonados por essa Bella. Ela deve ser a personagem mais chata da história do cinema (ou da literatura, mas até aí eu não li o livro, pode ser que lá ela possua algumas nuances que melhorem isso). Mas no filme ela não esboça UM sorriso sincero, está sempre com aquela cara de quem cheirou algo e não gostou, não tem um papo minimamente interessante e passa o filme inteiro com aquele ar de prepotência ridículo. Parece ter sido feito sob medida pra garotas sem graça mundo a fora se identificarem e manterem a esperança de que mesmo elas sendo um saco, podem aparecer caras fodões pra lutar por ela. Se esse for o seu caso, fica a dica: não conte com isso. Sério. Dá uma animada aí, leia alguns livros interessantes, tenta fazer algumas piadas, trabalha nesse seu sorriso, porque se não fica foda.


Minha conclusão é que este é um filme medíocre, mas que pode vir a entreter mentes vazias (propositais ou não).

Direção: David Slade
Ano: 2010
Link: IMDb

Nota: 37

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Lá se vão mais 4 anos...

E lá se vem mais uma Copa do Mundo para o Brasil. Novamente a decepção das quartas de final. Dessa vez, porém, não considero que tenha sido um fiasco, como em 2006.

O Brasil fez uma boa Copa. Vinha muito seguro. A seleção nunca brilhou, mas quem esperava que esse time brilhasse deveria rever seus conceitos. É um time muito forte, muito competitivo, que tem bola pra ganhar de qualquer time do mundo.

Contra a Holanda, ironicamente, o Brasil provavelmente fez a sua melhor partida na Copa. Fez um primeiro tempo quase impecável, fez um bonito gol, teve algumas chances pra fazer mais, teve um pênalti contra não marcado (discutível) e, acima de tudo, não deu A MENOR CHANCE pra Holanda. Robben tocava na bola e já estava cercado por no mínimo 3. Dava pra ter saído com um resultado de 2, 3 a zero e não seria nenhuma injustiça.

No segundo tempo a coisa parecia que ia continuar na mesma. Até que entrou em campo aquilo que torna o futebol um esporte tão apaixonante e tão imprevisível: o imponderável. Em poucos minutos a Holanda ACHOU dois gols. Primeiro numa falha conjunta de Felipe Melo e Júlio César e logo depois num lance bobo em escanteio.

A partir daí, acabou o time brasileiro. Totalmente. Talvez como um reflexo do destempero do Dunga na beira do campo. Na minha visão um técnico de futebol tem como primeira missão servir como exemplo. O Dunga estava irritado, pulando, dando socos no banco de reservas. Isso passa pro campo, e o que se viu em campo foi um time totalmente descontrolado. Com tudo isso ficou fácil pra Holanda tomar conta do jogo, principalmente após a expulsão IDIOTA do Felipe Melo.

O Brasil se despede diante de uma seleção de ponta, que tem tudo pra chegar na final e até mesmo ao título, mas que não jogou bem hoje. A Holanda só jogou bem quando tinha o jogo nas mãos. O Brasil acabou perdendo pra si mesmo e pro, well, let's face it, azar.

Mas Maquiavel, 500 anos atrás, já ressaltava a dimensão que o imponderável possuí em nossas vidas. Era algo como duas metades: o mérito e a fortuna (sorte). E nesse sentido, o trabalho de um bom líder seria justamente buscar meios de diminuir a influência da sorte o máximo possível. Ele dá o exemplo de governantes que construem diques pra evitar enchentes de rios impetuosos.

Transportando esse pensamento para a seleção brasileira, vimos que é um fato que o time não estava bem preparado para lutar contra adversidades. O imponderável estava escancarado na cara do Dunga há tempos e nada foi feito. Felipe Melo, ótimo jogador, mas com a cabeça de uma azeitona, já dava sinais claros de que não estava preparado pra enfrentar uma situação de pressão. Dunga deixou isso passar, e agora, como um líder, deve arcar com as consequências. O time levou um gol azarado, outro gol bobo, e não soube manter a cabeça pra lutar contra as adversidades.

Ninguém pode culpar o time por um lance isolado, mas o time deve ser sim culpado pela falta de habilidade pra lidar com o fato já ocorrido.