quarta-feira, 9 de julho de 2008

Posers?



Maria Vassileva, do SofiaEcho.com, relatou que o concerto de abertura do Manowar no Kaliakra Rock Festival 2008, na Bulgária, durou cinco horas e um minuto.

A apresentação representou a tentativa da banda de quebrar o recorde mundial do maior concerto de Heavy Metal que eles próprios estabeleceram em 2007, na último edição do festival.

Joey DeMaio, Eric Adams, Karl Logan e Scott Columbus satisfizeram uma multidão de vinte mil pessoas com um setlist de mais de 40 músicas, uma seleção que reflete a história da banda e todos os seus álbuns de estúdio.

Este ano, os auto-proclamados "reis do metal" tinham prometido aos fãs búlgaros bater o desempenho de três horas no palco do ano passado. Centenas de fãs da lendária banda estavam à espera de sua chegada no Estádio Kaliakra desde às 10h.

Representantes do "Guinness - O livro dos recordes" foram especialmente convidados para testemunhar o evento sem precedentes.

Fonte: Whiplash



A que ponto chega o ridículo de uma banda né. Não querendo entrar no mérito do quão foda deve ter sido esse show (e provavelmente foi muito), mas por que a banda precisa querer aparecer assim? Já não basta ter mais de 2 décadas de sucesso e uma base de fãs apaixonada? Duvido que eles fariam um show de 5h só pelos fãs, se não fossem aparecer no Guiness nem coisa parecida.

Eu fico triste pelo Manowar na verdade, pois eles tem um currículo fantástico e mais - eles ainda tem a capacidade de fazer músicas de alta qualidade. No entanto eles perdem o crédito comigo quando começam com essas palhaçadas de querer entrar no livro dos recordes, seja querendo ser a banda mais alta (volume, não altura =P) do mundo ou a banda com o show mais longo. Fora o cd ridículo que eles lançaram ano passado onde tem mais interlúdios e narrações do que música em si (e eu não estou exagerando).

Se querem fazer um show de 5h, façam, eu adoraria ir em um, mas façam pelos fãs, não pra aparecer.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Onde os Fracos Não Tem Vez

Filme de domingo foi esse aí, Onde os Fracos Não Tem Vez, grande vencedor do Oscar desse ano, não apenas como melhor filme, mas melhor roteiro adaptado, melhor direção e melhor ator coadjuvante.

Confesso que mais uma vez não consegui formar uma opinião sólida. Mas dessa vez é até compreensível: é um filme estranho, a começar pela ausência quase que total de qualquer tipo de trilha sonora. A ênfase é para o som ambiente, o que contribiu imensamente para o clima frio e sombrio do filme, mesclando perfeitamente também com a direção crua e brutal dos irmãos Coen. As cenas de ação são um primor e a fotografia não é nada menos que fantástica, dando vida a uma cenário que qualquer um consideraria morto.

O personagem do Javier Badern é um dos mais interessantes dos último tempos, não é à toa que está sendo comparado com o saudoso Hannibal Lecter. O estilo agressivo e calmo, com um sangue frio peculiar é o mesmo.

Acho que o que me incomodou no filme foi a história mesmo. Me pareceu meio jogada no vazio, sem muita explicação pra motivações, desejos, nada. Talvez possam argumentar que essa nunca seria a questão central do filme, que o filme trata apenas do comportamento humano dentro do contexto de uma perseguição mortal. Não vou entrar no mérito desse argumento ser válido ou não, provavelmente é, mas não é o suficiente pra mim. Não desejo filmes mastigadinhos, mas eu necessito de porquês.

Mas, como eu disse, a minha opinião sobre esse filme não está muito bem formada. Os pontos altos não me convencem de que eu gostei e os pontos baixos não me convencem de que eu não gostei e ao mesmo tempo esse filme é tudo menos mediano. De qualquer maneira, ele me fez pensar e por isso já merece crédito.

domingo, 6 de julho de 2008

Wimbledon

Olha, eu não ia nem comentar sobre esse jogo não, até porque eu fiquei bem triste do Federer ter perdido, mas pqp. Que jogo fantástico, fazia tempo que eu não via uma partida de Tênis tão emocionante como essa.

Os dois primeiros sets já foram bastante equilibrados, com o Nadal vencendo ambos no detalhe, ambos por 6x4. Federer já mostrava que não ia ser tão fácil quanto em Roland Garros.

No terceiro a coisa ficou mais equilibrada ainda. Quando o jogo estava 5x5 começou a chover em Londres e a partida foi interrompida por mais de última hora. Melhor pro Federer, que voltou melhor e conseguiu a vitória depois de um emocionante Tie Break.

O quarto set foi um replay do terceiro, mas sem a chuva e ainda mais emocionante. O Tie Break foi sensacional, terminando em 10 a 8, tendo o Federer um break point contra, com o Nadal sacando. Nadal sacou bem, atacou, mas com muito sangue frio o suiço conseguiu uma passada espetacular.

Chegou o quinto, o jogo continuou equilibrado. 2x2 no placar e novamente entrou em campo a chuva, parando tudo por mais meia hora. Dessa vez o Nadal voltou melhor, sempre pressionando o saque do suiço e fechando seus games com facilidade. No entanto o equilíbrio durou até o décimo quinto game, aonde o espanhol finalmente conseguiu a quebra. No décimo sexto o Federer ainda salvou dois championship points de maneiras fantásticas, mas logo o Nada conseguiu impor o seu jogo e fechar a partida depois de quase 5h de jogo.

Sei lá, fiquei muito triste, teria sido uma vitória incrível do Federer. Mas fiquei feliz pela partida e o Nadal realmente tá merecendo, por tudo que ele está jogando. Parabéns pra ele.

Nada Mais Que a Obrigação



A vitória era o mínimo esperado diante desse time do Náutico recheado de reservas em pleno Maracanã. Vai lá que o Timbu não ofereceu muita resistência, mas hé de se ressaltar a segurança com que o time do Flamengo jogou. Fez dois gols nos primeiros 20 minutos, teve chance de mais e a partir daí começou o treino.

Mas não aqueles treinos que o Flamengo adora fazer, que invarialvelmente acaba com um resquício de drama, mas o que se viu foi um time tranquilo, sem dar chances pro time adversário e sem abdicar do ataque. O terceiro gol saiu naturalmente e o quarto só não veio por acaso.

Quanto as atuações individuais, Léo Moura jogou o que não vinha jogando a muito tempo, destruiu tudo ali do lado direito com um gol, lançamentos incríveis e dribles desconcertantes. Juan também foi bem, mas esse nós já estamos acostumados. Outro destaque foi o Renato Augusto que finalmente fez uma partida excelente, dentro de tudo o que se espera dele. Foi aquele camisa 10 que faz falta nesse time há algum tempo.

Mas o melhor de tudo foi o Kleberson, que jogou com autoridade, sem deixar ninguém sentir falta do Ibson. E também o Dininho, finalmente temos um zagueiro bom para substituir nosso capitão.

Mas enfim, temos tudo pra terminar essa rodada com 5 pontos de vantagem para o segundo colocado. 5 pontos que não querem dizer nada, ainda há muito campeonato pela frente. Mas eu acredito...

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Mudando um pouco o tema, vi Senhores do Crime ontem, com minha amada namorada. Confesso que o meu sono era tão grande que não consegui formar uma opinião muito sólida sobre o filme, mas eu gostei do que vi. A história foi suficientemente interessante pra me manter acordado (embora o roteiro tenha alguns furos) e os personagens são legais, principalmente o do Viggo Mortensen. A atuação dele está incrível aliás, não foi indicado ao Oscar à toa, ele realmente entrou no papel.

Eu gosto de atores que conseguem fazer dois papéis diferentes sem que você consiga ver um papel no outro. Por exemplo, o Viggo ficou famoso por ter feito o Aragorn do Senhor dos Anéis (fato que todo mundo está cansado de saber). Aragorn foi um personagem marcante, interpretado durante 3 filmes, em filmes que fizeram um enorme sucesso. No entanto, você não vê nada do Aragorn no personagem do Viggo nesse filme (Nikolai). São atuações totalmente distintas.

(Não é por exemplo como o Keanu Reeves, que qualquer filme que você veja com ele você pensa no Neo de Matrix)

Enfim, um ótimo filme.

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Em tempo, final de Wimbledon rolando, Nadal já fez 1x0 mas o Roger está na frente no segundo set. Vamos Federer!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

An American Prayer

(um pouco atrasado, mas enfim)

Ontem, dia 3 de Julho, fez 37 anos que esse cara aqui do lado morria, depois de 5 anos que foram marcantes o suficiente para deixar eternizado o seu nome na história do Rock.

(Engraçado pensar nisso, aliás. O primeiro cd dos Doors data de 1967, o último (ainda com o Jim), 71. Quatro anos de carreira apenas. Os Beatles, considerados a maior banda de rock da história, também nem chegaram a uma década de carreira, foram apenas Sete.)

Esse post tem apenas a simples intenção de prestar uma pequena homenagem ao saudoso Jim Morrison. Foi um dos meus ídolos na adolescência e um dos motivos que me fizeram gostar tanto de rock e música em geral.


Oh, tell me where your freedom lies.
The streets are fields that never die.
Deliver me from reasons why
You'd rather cry.
I'd rather fly.

O Template e o Futuro

E eis o novo Template! Depois de quase 3 anos de blog eu finalmente tomei vergonha na cara e resolvi mudar isso. Não fiquei totalmente satisfeito, ainda sinto falta de uma coisa mais pessoal, mas talvez seja melhor assim. De qualquer forma, ainda não tenho paciência de sentar e tentar aprender a fazer templates então até lá um toque pessoal vai ser algo difícil de se ver por aqui.

Gosto de pensar que com um template novo eu realmente me empolgue com o blog e passe a tratá-lo como uma parte mais significante da minha vida. Ele nunca teve um tema muito bem definido (leia o subtítulo), ele sempre foi apenas um depósito de textos aleatórios, idéias ou mesmo acontecimentos que por uma razão ou outra eu me sentia impelido a compartilhar com qualquer um que pudesse ter vontade de ler esse blog (qualquer um = quase ninguém).

Mas é aquela coisa né, posts muito pessoais são meio chatos. No fundo as pessoas não ligam muito. Proponho portanto um blog menos pessoal e certamente mais interessante. Afinal a vida está cheia de coisas interessantes por aí, esperando pacientemente por um comentário, seria um desperdício enorme de tempo e espaço ficar falando do que eu fiz ontem, do que eu comi no almoço, de como meu fim de semana vai ser ou não perfeito ou de como estou triste porque a minha namorada me largou (dica: ela não me largou).

Entretanto, faz-se necessário ressaltar que há algumas muitas excessões de situações de nossas vidas que talvez possam e devam ser compartilhadas com qualquer um que venha a ler este blog (quase ninguém, de novo). Situações que, se bem analisadas, por um ou outro prisma, possam trazer um pequeno, ou grande, engrandecimento, seja este de qualquer tipo, dos mais simples aos mais complexos, a quem vier observá-los. Por tal motivo, textos pessoais ainda poderão ser encontrados por aqui, com menor frequência e definitivamente com um grau maior de interesse (eu serei o juiz disso, temo).

De resto, sobrarão comentários sobre idéias, filmes, músicas, livros, jogos e essas coisas que fazem a vida valer a pena. Durante meus pensamentos nos últimos dias eu percebi que eu tenho uma dificuldade enorme de pensar para o futuro. Penso em fazer comentários sobre os próximos filmes que eu ver, por exemplo, mas logo depois penso "e todos os filmes que eu vi no passado e que não receberam comentário algum?". Isso me desanima e eu acabo deixando a idéia pra lá.

Outro exemplo mais objetivo: comecei a botar aparelho hoje. Prazo para tirá-lo? 4 anos, pelo menos. Po, isso é desanimador demais, sofrer 4 anos com pedaços de metal na boca pra enfim poder sair sorrindo em fotos. Mas aí você pensa que se eu tivesse botado há 4 anos atrás, hoje eu já seria uma pessoa mais feliz.

Minha mentalidade sempre foi meio baseada na idéia do Carpe Diem, de aproveitar o presente e não ficar pensando constantemente no futuro. Pra que sofrer agora se eu só vou aproveitar no futuro? Acho que eu levava isso a sério demais e minha vida não parecia ir pra frente.

Observem, portanto, eu botei o aparelho e eu comecei a levar esse blog a sério. Minha mentalidade mudou um pouco nesses últimos dias. Agora eu penso que o presente nunca deve ser sacrificado, mas que não pensar no futuro, de algum forma que seja, é estupidez. O futuro daqui a pouco será o nosso grande presente (em ambos os sentidos, por favor).

Assim, daqui a 4 anos eu terei os dentes perfeitos e um blog divertido com muitos textos legais. Até lá? Até lá a gente vai vivendo. Always remember, it's the trip, not the destination.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Strawberry Fields Forever!


Melhor cena de Across The Universe, filme que eu vi ontem (ou hoje, dependendo do seu referencial). Me falaram meio mal desse filme, estava com as expectativas lá embaixo, mas me surpreendi bastante. É um filme muito gostoso que pode agradar muito se você estiver no espírito certo (o que foi o meu caso, felizmente). Não é genial, mas é aquele filme que não tem a pretensão de o ser, o que contribui para o clima do filme.

O filme é um musical, apenas com músicas dos Beatles, ou seja, se você não gosta de musicais, fique longe. Se você não gosta dos Beatles, fique mais longe ainda. (Aproveite que você está longe e vá até o psiquiatra mais próximo, que espécie de pessoa não gosta de Beatles?)

Gosto de pensar nesse filme como um conjunto de perfomances musicais em cima das músicas dos Beatles, tendo um roteiro para unir tudo dentro de um espaço comum. Por isso, não espere um roteiro mirabolante e super elaborado. Ele é o que ele deve ser: simples e bem feito. Conta a história de um jovem de Liverpool que vai para a América dos anos 60 e lá faz amigos, pega a mocinha (claro) e participa de todo o movimento paz e amor dessa época, com seus protestos contra a Guerra do Vietnã e sua característica contra cultural marcante (que hoje em dia já anda manjada, mas ainda é bacana).

A direção é o grande destaque, não conhecia o trabalho dessa mulher, Julie Taymor. Fazer musicais deve ser uma coisa complicada, mas ela fez seu trabalho com muita competência, dando o toque de psicodelicidade (?) que o filme precisava, sem perder o foco em momento nenhum. Os atores também são muito seguros e apresentam uma atuação sólida, destaque pro casal de protagonistas, que ficaram muito bem juntos.

A mina é um pitel aliás, Evan Rachel Wood =D

(Desnecessário dizer que a trilha sonora é excelente, não apenas por ser um musical, mas por ser um musical Beatle. De qualquer forma, vale dizer que os arranjos ficaram em sua maioria muito legais)

Ah, pros mais aficcionados, existem referências à carreira dos Beatles por todo o filme, desde os nomes dos personagens (hey Jude e Lucy in the sky with diamonds, por exemplo) até frases ditas durante algumas cenas (She came in from the bathroom window!). Há também personagens inspirados em ícones como Jimi Hendrix e Janis Joplin (faltou o Jim, imo ahuauh).

Enfim, gostei bastante do filme =)

Max's Father: Goddammit, Max! Get serious, for once! What are you going to DO with your life?
Max: Why is it always what will I do? "What will he do", "What will he do," "Oh, my god what will he do", Do, do, do, do, do. Why isn't the issue here who I am?
Uncle Teddy: Because, Maxwell, what you do defines who you are.
Max: No, Uncle Teddy. Who you ARE defines what you do. Right, Jude?
Jude: [awkward] ... Well, surely it's not what you do, but the, uh... the way that you do it.





(Em outra notícias, parabéns ao Fluminense pelo inédito vice campeonato continental!)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O Caçador de CUH


Voltando após um hiato de alguns meses, dessa vez com assuntos mais lights...

(cof cof spoilers cof cof)

Vi esse filme aí ontem. As pessoas vivem dizendo que adaptações literárias não são coisas fáceis de se fazer e provavelmente elas estão certas. Esse livro, O Caçador de Pipas é bacana. Típico livro feito pra virar Best Seller, mas bem ou mal tem uma história bonita de redenção e tal. Mas é engraçado observar o sentido de moral desse nosso mundo moderno, o protagonista vive sua vida inteira atormentado por um tenso momento de covardia infantil, aonde viu seu amigo ser atacado e não fez nada. Sua redenção, 30 anos depois, consistiu basicamente em levar uma bela surra. Simplificando, devemos todos levar uma surra pra não sermos covardes? Divertido.

(claro que o livro não é isso, o autor não seria estúpido o suficiente pra fazer um personagem tão raso, há complicantes, mas não me apetece entrar nos tais)

Voltando ao filme: é uma bosta. Sinceramente, não me parece nem um pouco difícil fazer um filme bom a partir desse livro. O livro quase grita "eu quero ser um filme!". O roteiro é uma vergonha. Tudo previsível e manjado. É tipo, olhem, ele está tossindo, ele vai morrer. Sim, ele vai morrer. Olhem, a mocinha sorriu para o protagonista, eles vão se casar. Sim, eles vão se casar.

Eu tive vergonha também dos atores. Queria poder dizer que os atores afegãos, o descendentes, whatever, fizeram um bom trabalho, mas a atuação de todos eles foi triste.

A direção é do Marc Foster, que dirigiu os excelentes Em Busca da Terra do Nunca e Mais Estranho que a Ficção (e está dirigindo o novo filme do 007). Esperava muito do trabalho dele, mas nem ele se salva aqui. Direção muito burocrática. Tem alguns momentos de brilho, principalmente nas cenas das pipas, mas fica longe de salvar o filme. Mas também, se nem a direção de Filhos da Esperança salvou o filme, não era aqui que isso iria acontecer.

Vale pra quem já leu o livro, pelo menos eu gosto de ver adaptações de livros que eu já li, pra ver a visão das pessoas sobre algo que eu conheço e tudo isso, e vale pela trilha sonora, que é muito boa. No mais, fique longe.


Editando: Só um comentário que faltou. Algo muito simples que deixaria o filme umas 30x melhor: voice over. Não sou o maior dos fãs desse artifício, mas o livro é todo em primeira pessoa e não teria modo melhor de explicar e deixar claro tudo o que o roteiro não deixou do que com um narrador em off.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Ainda no clima de liberdade...

(diálogo entre J.R. e sua namorada)

- Vou te dizer, uma vez eu vi um cara, na época daquela grande nevasca que tivemos em 1960, lembra? O cara estava jogando golfe, bem no meio da Broadway assim.

- Golfe?

- Juro por Deus.

- No meio da rua?

- Bem no meio. E ele disse "pera um pouco, o problema com o mundo hoje é que se um homem resolve jogar golfe no meio da rua as pessoas ficam encarando-o".

- Não acredito em você.

- Eu.. eu não mentiria pra você. Ele estava com aqueles sapatos, sei lá o nome daquilo, e o chapéu...

- O uniforme todo? Tudo?

- Aham. Tacos de golfe e tudo.

- Isso é insano.

- É, bem. Mas é legal também.

- Por que?

- O cara fez o que ele estava afim de fazer, jogar golfe.

- É, acho que sim.

- Não devíamos fazer sempre o que quisermos?

- Acho que sim.

- Vc faz?

- Sim... Não sei, nunca tinha pensado nisso. Acho que sim...





Traduzido toscamente do filme "Who's That Knocking At My Door", do Scorsese.

segunda-feira, 24 de março de 2008

A Liberdade Perante a Moral

A idéia de liberdade é uma parada que sempre me atraiu bastante. Não é por acaso o nome do meu Flog (land of the free) ou a pergunta do meu msn (how things would be if you were to be free?). Pensamentos aleatórios sobre essa idéia sempre passam pela minha mente, mas nunca foi o suficiente pra me fazer escrever sobre o assunto.

Acontece que um dia desses eu estava vendo um filme do Krzysztof Kieslowski (nomezinho hein) chamado "A Liberdade é Azul" ("Trois Couleurs: Bleu", no original), cujo tema principal é (supresa!) a própria liberdade.

(na verdade não é exatamente o tema do filme, é mais uma idéia que permea todas as idéias que o diretor trabalha dentro do filme, mas anyway.)

Alguns dias depois, eu fiquei preso numa droga de engarrafamento na ponte rio niterói. E eu estava ouvindo justamente o álbum Land of The Free, do Gamma Ray. Vocês sabem né, aquele tédio, os carros parados, ar condicionado ligado, a mente divaga. Comecei a viajar totalmente nessas idéias de liberdade e fiquei tentado a escrever alguma coisa ou outra aqui nesse blog (afinal, pra que mais serve um blog?), coisa que planejo fazer nesse momento.

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Liberdade é aquela coisa que ninguém consegue definir muito bem, mas todo mundo sabe muito bem o que é. Talvez não tão bem assim, muitas vezes eu tenho a sensação que muitas pessoas que se consideram livres não tem idéia da magnitude com que a idéia de liberdade deve ser trabalhada. Particularmente, eu não conheço nenhuma pessoa realmente livre e não acho que exista alguma.

Existem um número diverso de "esferas" de "limitações", sobrepostas ou não, que impedem um indivíduo de adquirir sua liberdade. Dessa forma, ao observarmos um indivíduo fora de uma determinada esfera (principalmente no caso de estarmos falando da esfera do observador), podemos ter a impressão enganosa de que aquela pessoa é livre. Talvez seja difícil observar, mas dificilmente o tal indivíduo estará totalmente livre de todas as esferas, muito provavelmente ele estará sob o domínio de algum esfera que nos parece invisível de longe.

Dando um exemplo bobo e leviano, podemos dizer "aquele homem tem dinheiro pra fazer o que quiser, ele é certamente uma pessoa livre". Não é o caso, pois mesmo com todo o dinheiro do mundo, tal homem ainda terá uma grande quantidade de limitações, que o impedirão muitas vezes de fazer o que deseja. No exemplo citado acima, podemos dizer que o homem não é livre pra matar alguém por exemplo, seja por limitações éticas, religiosas, ou alguma outra qualquer.


É difícil definir quais seriam todas essas esferas de limitação. Pensando rapidamente, poderia pensar em algumas como:

  • Limitações físicas (uma pessoa com problemas respiratórios dificilmente vai ter a liberdade de fazer certos esportes, por exemplo)
  • Limitações religiosas (essas são óbvias, pois se repararmos bem a idéia de religião é basicamente um conjunto de regras e limitações, não matarás, não roubarás, não farás nada que não esteja fora da esfera dessa religião)
  • Limitações financeiras (essa se torna mais forte a cada dia que passa em nossa sociedade moderna. Também é um tanto óbvia, sem meios materias você vai ser impedido de fazer quase tudo atualmente)
  • Limitações afetivas (uma pessoa que deseje se mudar mas não consegue ficar longe da família, por exemplo)
  • Limitações criativas (aqui já se torna um campo mais abstrato. Sempre desejei escrever músicas livros, mas hey, minha criatividade me limita na maioria das vezes)
  • Etc.
Mas a limitação que eu fiquei viajando por mais tempo e a que mais me intrigou foi a Limitação Moral. O que dizer daquele jovem que tem o desejo de morar sozinho mas que mora com a mãe doente. A mãe tem meios de se sustentar sozinha, mas o jovem tem receio de deixá-la e ir morar em outro lugar. Analisando essa situação, percebemos que em todas as outras esferas, o jovem é livre pra fazer o que deseja: Fisicamente, ele é capaz de se mudar. Sua religião também não tem problemas com isso. Ele possui os meios financeiros. Ama sua mãe, mas esse não seria um empencilho na hora de se mudar.

Então, por que o jovem não se muda?

Justamente porque sua ética não permite. Em nossa sociedade, seria extremamente mal visto um jovem largar sua mãe doente sozinha para ir morar em outro lugar. Por mais que deseje isso, o jovem se sentirá oprimido por essas limitações e dificilmente terá coragem de sair de casa. Caso reúna enfim a coragem necessária e saia de casa, será julgado sem dó pela sociedade e se sentirá culpado, mantendo os vínculos fortes com a idéia de sua mãe abandonada, nunca conseguindo ser livre de verdade.

A idéia da moral como limitadora de ações é mais presente em nossas vidas do que nós percebemos normalmente. Mais do que qualquer outra das esferas citadas anteriormente, ela está sempre presente, em todos os indivíduos de dada sociedade. É interessante perceber também a ligação próxima com as limitações religiosas, afinal a própria religião é certamente o sustentáculo da ética de uma sociedade.

Existem alguns poucos indivíduos que tem o talento de conseguir se posicionar acima da idéia de ética. Não obstante, são julgados frequentemente pela sociedade, sendo taxados de "maus caráter". A questão nesse caso, é o fato de tais indivíduos, por se posicionarem acima de tal idéia, não serem afetados pela opinião pública. Ora, estes são os verdadeiros homens livres.

A liberdade de um indivíduo acaba quando começa a do outro? Na verdade é muito mais o contrário.

Vivemos em um mundo cruel.